terça-feira, janeiro 16


Não ao Referendo

O aborto encontra-se despenalizado em Portugal desde 1984, altura em que terá entrado em vigor a lei citada no post anterior.
Lei essa que, como mostra o post, contempla a interrupção voluntária da gravidez nos casos de perigo de vida da mãe, razões de saúde física e psíquica da mãe, malformação e inviabilidade do feto e violação. Dificilmente nos apresentarão os defensores do SIM outras razões plausíveis para colocar um fim à breve vida do bébé em formação, ou que levantem, naqueles com um resto, que seja, de humanidade, qualquer dúvida quanto à sua intenção de voto no próximo dia 11 de Fevereiro.

Neste referendo o que está em causa não é a despenalização do aborto.


Há oito anos, os portugueses disseram NÃO AO ABORTO! Agora, oito anos volvidos, novo referendo. Que justificação há para tal? Daqui a oito anos, caso vença o SIM realizar-se-á novo referendo? Dúvido. Trata-se de uma busca pelo SIM.

Nota ainda para uma ideia públicada por Tiago Mendonça: A Teoria da Abstenção. Uma situação possível caso os adeptos do não se organizassem conjuntamente e boicotassem a ida às urnas. Com uma abstenção de mais de 70% o referendo não teria valor jurídico e manter-se-ia a lei actual.

De qualquer forma, continuo a acreditar que a questão estrutural desta problemática, nos remete para para um outro aspecto, que do meu ponto de vista é bem mais fácil de perceber e responder: a sociedade portuguesa tem ou não condições para legalizar o aborto?
É esta a pergunta que todos se devem fazer antes de votar. No dia em que toda a gente responda afirmativamente, então niguem quererá fazer um aborto que não esteja já contemplado na lei actual.

Eu sou contra o referendo.

3 comentários:

Tiago Mendonça disse...

O Sim à força toda como referi! Soube hoje que o bloco de esquerda vai gastar 85 mil contos ( contos ) na campanha pelo aborto. Uma questão tão politizada por BE, PCP e PS, em caso de derrota, do que eles mostram ser, uma " iniciativa " eleitoral deve levar a consequências políticas. Acho, como já disse, lamentável a força que se faz para ao fim e ao cabo, se ir contra a vontade já expressa das pessoas. Acredito que muita gente, vá votar no Sim, porque José Socrates, Jerónimo de Sousa e Francisco Louçã dizem que sim. Aos ultimos dois, ainda pode ser perdoável. Ao primeiro, acho lamentável.

Ze do Telhado disse...

Exactamente, não diria desculpável, mas talvez previsível ou aceitável, já que numa ideologia onde o principal inimigo é o Homem, fará todo o sentido promover uma política de morte assistida.
Quanto à teoria do caríssimo Tiago Mendonça, com fundamento legal na Constituição da República, no qual se exige que para o valor do Referendo ser vinculativo, que o número de vontantes seja superior a metade dos eleitores inscritos no recenseamento, faz todo o sentido que assim seja. Todavia, a esquerda já se preparou para esse facto, adiantando-se no discurso com a mensagem de que, se o Sim vencer, independentemente do carácter vinculativo do Referendo, isto é, independentemente das exigências das normas constitucionais, irá legislar na mesma medida, com o apoio da maioria parlamentar.
É a "democracia" que temos...
Cumprimentos

Medusa disse...

Embora seja a favor do aborto (e opiniões diferente todos podemos ter), concordo que este referendo mais parece uma forma do "SIM" levar a "água ao seu moinho".

Se os portugueses já se tinham decidido pelo não, para quê um novo referendo? Se ganhar o "não", daqui a oito anos far-se-á outro até se alcançar o "sim"?

Contudo, não creio que boicotar o referendo seja solução. Temos que exercer o nosso direito de voto para expressarmos as nossas convicções. Vamos a votos e que ganhe a consciência dos portugueses...mas votem, e façam-se ouvir!

De resto, só tenho que felicitar a Padeira de Aljubarrota pelo seu post bastante oportuno, bem construído e com argumentos sólidos.

E já que há referendo, e nada podemos fazer contra isso...vamos a ele!